Medicina: montando o quebra-cabeça
Atualizado: 17-Oct-2002

Introdução

Desde 1992, a expressão "medicina baseada em evidências" vem gerando amor e ódio entre os profissionais da área da saúde. Em ambos os casos há razões, algumas plausíveis e outras não, para esse comportamento. No entanto, esta expressão é a percepção de apenas uma parte do todo. Praticar a medicina envolve um conjunto de itens igualmente importantes que devem conviver em harmonia. As evidências, as vivências, a competência e a ética são os componentes que devem ser integrados na prática médica ou de qualquer profissão na área da saúde. Assim, não é salutar enfatizar apenas um componente, pois os outros passariam a ser vistos como itens de menor importância.

As evidências (medicina baseada em evidências)

São as informações geradas pelas pesquisas clínicas de boa qualidade para orientar o médico no processo de tomada de decisão. As pesquisas clínicas podem ser as primárias (por exemplo, estudos de acurácia, ensaios clínicos aleatórios, estudos coortes) e as secundárias (por exemplo, revisões sistemáticas, estudos de análise econômica).

A experiência (medicina baseada em vivências)

São as informações geradas pelo contato direto e diário com os doentes para o entendimento do contexto no qual os resultados das pesquisas podem ser aplicados e extrapolados. É a vivência que oferece o refinamento no processo de tomada de decisão.

Competência (medicina baseado em competência)

São os conhecimentos, habilidades e atitudes que o médico possui para obter e interpretar as informações derivadas do doente (anamnese e exame físico), dos exames complementares, das evidências e das vivências. Assim como, a capacidade de avaliar as circunstâncias (local de atendimento e gravidade do doente) na qual a decisão está sendo tomada.

Ética (medicina baseada na ética)

Tem por objetivo garantir que a relação entre o médico e o doente transcorra num clima de mútua cordialidade e respeito, no qual o doente participa como agente ativo, ajudando no processo de tomada de decisão e o médico tem compromisso com o doente (levando em conta os princípios de autonomia, justiça e não maleficência).

A decisão clínica (juntando as peças do quebra-cabeça)

Associar os quatro componentes - evidências, vivências, competência e ética - em benefício da saúde do ser humano é o alvo de toda a atenção do médico. Cabe ao médico coordenar a utilização dos quatro componentes no processo de tomada de decisão, interpretando, contextualizando e ajudando o doente no que for necessário. A integração destes componentes no processo de tomada de decisão resulta em uma maior probabilidade de acerto. A expressão mais apropriada deveria ser MEDICINA ALÉM DAS EVIDÊNCIAS.

 

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