Medicina baseada em evidências
Atualizado: 25-Oct-2003

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Ementa do curso

Definição

A medicina baseada em evidências é processo de tomada de decisões que tem por objetivo auxiliar nos sobre os cuidados em saúde. Não apenas a tomada de decisão do médico quando está diante do doente, mas no sentido mais amplo, onde é necessário incorporar todos os princípios, recursos e pessoas que estão envolvidas.

Categorias e componentes

Na prática clínica quatro situações básicas sempre se repetem: a) diagnóstico; b) tratamento; c) prognóstico; d) prevenção. Cada uma dessas situações compreende cinco componentes específicos: a) acesso à informação, b) avaliação crítica (ou melhor, da qualidade) da literatura, c) principais desenhos de pesquisa clínica, d) métodos estatísticos, e) planejamento de pesquisas clínicas. Cada uma dessas situações básicas é necessário saber acessar a informação, avaliar a literatura, entender as limitações (vantagens e desvantagens) de cada desenho de estudo, os métodos estatísticos envolvidos com a situação clínica e como planejar pesquisas para que seus resultados sejam válidos.

Diretrizes clínicas

No momento em que as informações dessas quatro situações básicas são sintetizadas, incorporando a experiência clínica acumulada, elas podem ser transformadas em recomendações, as diretrizes clínicas (practical guidelines).

As diretrizes clínicas sintetizam de forma sistemática o conhecimento que temos sobre uma doença servindo de orientação de como conduzir os doentes. Em virtude da produção contínua de informações devem existir estratégias de atualização e de aprimoramento dessas diretrizes para que elas cumpram seu papel. Para que uma diretriz clínica seja efetiva, sua disseminação e implementação devem ser vigorosamente perseguidas. Sob a pena de ver, o tempo, energia e custos devotados para o seu desenvolvimento desperdiçados e o potencial benefício para os doentes perdido. A implementação significa que as diretrizes serão efetivamente utilizadas no processo de tomada de decisão clínica.

A decisão clínica

O processo de tomada de decisão clínica é realizado com três componentes: a) o julgamento criterioso e imparcial dos resultados das pesquisas clínicas, sintetizada e contextualizada pelas diretrizes clínicas, b) as preferências do doente devidamente esclarecido, c) as circunstâncias em que o doente é atendido, o estadio da doença e os recursos disponíveis no local de atendimento. A vivência do profissional é que vai permitir o ajuste fino deste processo para que o doente tenha maior probabilidade de benefício que prejuízo.

As pessoas envolvidas

Na estruturação apresentada, quatro tipos de pessoas estão envolvidas: o médico, o doente, o administrador e o pesquisador; cada um se diferenciará dos outros pelos conhecimentos e habilidades que possuem em cada um desses componentes; diferenciados pelo "saber como é realizado" e pelo "saber realizar".

Médico

Cabe ao médico ou profissional da área da saúde saber como é realizado cada um dos itens básicos (acesso à informação, avaliação da literatura, principais tipos de desenhos de pesquisa, métodos estatísticos, planejamento de pesquisas) e às diretrizes clínicas para que ele possa confiar nas informações produzidas por cada uma das partes. A decisão clínica é o item que este profissional necessita saber fazer. O médico deve ter consciência dos itens envolvidos no processo de tomada de decisão clínica, como eles interagem e como individualizar sua conduta para o doente que esta na sua frente.

Doente

Cabe ao doente saber como são realizados todos os itens descritos, mas não precisa saber realizar nenhum. Se o doente entende como as informações são geradas pelas pesquisas clínicas, como são interpretadas e aplicadas, será participativo e ativo no processo de tomada de decisão que irá afetá-lo.

Adminstrador

Cabe ao administrador saber como são realizadas todos os itens descritos e saber realizar apenas um dos itens das diretrizes clínicas, que é a sua implementação. A ação de implementar e avaliar sua utilização, e a partir destes resultados da utilização planejar novas abordagens para a implementação é um processo contínuo e permanente (Monitorização da prática clínica, clinical audit). O administrador entendendo todos os itens será um facilitador para as pessoas envolvidas.

Pesquisador

O pesquisador, diferente dos outras pessoas envolvidas, já está divididos de acordo com sua funções e conhecimentos, sabe realizar cada um dos itens descritos. Por exemplo, para o métodos estatístico existe o bioestatístico, para o acesso à informação a bibliotecária, nas diretrizes clínicas o pesquisador que avalia quais são os métodos para planejar, produzir, disseminar e avaliar sua utilização; para a decisão clínica existem pesquisadores que avaliam quais são os componentes, sua interação, o componente humano, a comunicação. Para cada componente existe um pesquisador com características próprias.

A decisão clínica (Medicina além das evidências)

O processo de decisão clínica que é coordenado pelo médico tem que obrigatoriamente levarem consideração três componentes: a) as evidências, dizendo de outra forma, os resultados de pesquisas clínicas de boa qualidade, b) as circunstâncias do atendimento, c) os desejos do doente. Os dois últimos componente mais a coordenação no processo de tomada de decisão é que é a medicina além das evidências. Não levar em consideração os três componente é um desvio do comportamento médico, pois poderemos ter uma maior probabilidade de malefício que benefício, além de quebrar com a relação médico-paciente que é um elemento essencial na prática clínica.

Considerações finais

No contexto apresentado deve ser percebido que a expressão "medicina baseada em evidências" nada mais é que uma estratégia de propaganda de uma evolução natural na medicina, isto é, a aplicação dos resultados das pesquisas clínicas para orientar no processo de tomada de decisão em saúde nos mais diferentes níveis; em outras palavras, é a pesquisa clínica no lato sensu. A integração das evidências, as vivências, a competência e a ética é o que deve prevalecer (Clique aqui). Veja também um texto sobre os riscos da medicina baseada em evidências (Clique aqui).

Neste curso iremos abordar todos estes componentes dos diversos pontos de vista para que o aluno tenham um postura crítica diante deste modelo de tomada de decisão baseado nos resultados de pesquisas clínicas.

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Distribuição das aulas


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Diaposiivos 2 em PDF (321 Kb)

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(122 Kb)

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(110 Kb)

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Recursos na internet

http://www.cmaj.ca/cgi/collection/the_modern_scientific_physician_series
The Modern Scientific Physician Series publicada no Canadian Association Medical Journal.

http://www.epm.br/cochrane/ebm.htm
Capítulo de livro, em português, sobre o tema. Atallah AN, Castro AA. Medicina baseada em evidências. In: Atallah AN, Castro AA. Evidências para melhores decisões clínicas. São Paulo: Lemos-Editorial, 1998.

http://www.cochrane.es/Cursos/MBE_curs
Curso on-line do Centro Cochrane Iberoamericano. É necessário preencher um formulário e esperar a senha que será enviada por e-mail para iniciar o acesso.

http://163.1.96.10/ebmisisnt.html
Sackett DL, Rosenberg WMC, Gray JAM, Haynes RB, Richardson WS. Evidence-Based Medicine: what it is and what it isn't. Br Med J 1996 Jan 13;312:71-2.

http://www.cebm.net
Centro de Medicina Baseada em Evidências na University of Oxford. Possui um série de recursos na itens de ferramentas (calculadoras, CATs, ...).

http://www.cche.net
Localizada no Canadá, a página possui a versão completa da série artigos publicados no JAMA (The Journal of The American Medical Association), destinada a oferecer instrumentos práticos para a leitura crítica de publicações sobre terapia, diagnóstico, prognóstico, revisões sistemáticas e outras, além de calculadoras on-line, estratégias pré-programadas de pesquisa em bases de dados. Acessando a página, no barra de ações selecione o item PRINCIPLES, e em seguida o item desejado.

http://www.bmj.com/collections/read.htm
Outra série que foi publicada com o mesmo objetivo, está publicada no British Medical Journal.

http://www.evidencias.com
Portal que contém cada um dos itens relacionados: a) acesso a informação; b) avaliação crítica da literatura; c) principais desenhos de pesquisa clínica; d) métodos estatísticos; e) planejamento de pesquisa clínicas; f) as diretrizes para a prática clínica (Practice guidelines); g) decisão clínica.

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